
Considerado o consumo de carne vermelha uma ofensa aos animais, entre os alimentos ingeridos pelos seguidores do hare krishna estão: Legumes, verduras e frutas.
Por Mara Rodrigues
Produção em massa e consumo deliberado são palavras de ordem do mundo capitalista. Com a comida aconteceu a mesma coisa. No caso das carnes, elas passam por processos como adição de hormônios de crescimento e antibióticos para evitar doenças, chegando com má qualidade na mesa do consumidor. O vegetarianismo (Prega uma abstinência deste alimento por uma dieta rica em frutas e hortaliças) e em algumas de suas versões está ligado a razões éticas e religiosas.
Vivendo de maneira simples, os adeptos do movimento Hare Krishna seguem a alimentação vegetariana. Krisna significa “todo atrativo”, e seus seguidores evocam cânticos religiosos, praticam meditação e agradecem o alimento aos deuses supremos através do Prasadan (que significa misericórdia). Em Fortaleza, existe um restaurante chamado Casa de Cultura Krishna Prasada, onde a dieta natural é conciliada com crescimento espiritual.
Para além do ritual diário, onde a comida não pode ser provada durante o cozimento, o chef de cozinha do restaurante, Vaikuntha Prasada, acredita que os animais são seres humanos passíveis de dor. “Da mesma maneira que todo mundo tem sua autonomia, o animal também tem, já que ele também é capaz de manifestar sentimentos. Seria como se estivesse comendo a carne de um ser que foi menos favorecido nessa vida”, declarou o chef, seguidor da religião (hare krishna), por influência dos pais.
Ao contrário do que pensam os leigos, a dieta dos adeptos do krishna não é limitada. O chef apresentou várias formas de se comer bem, sem comprometer a saúde. “Comemos comida normal: arroz, feijão, só que temperados com legumes como noz moscada, manjericão, coentro. Você pode criar receitas bem individuais como a carne de caju, por exemplo,”. Outro alimento consumido por vegetarianos é a carne de soja. Já para o chef, a soja é pouco preparada no restaurante. “A soja substitui a carne vermelha na refeição, o que não acho certo, pois a intenção é sair do pensamento de que se está comendo carne”. O perfil das pessoas que vão diariamente ao Prasada segundo Vaikuntha é diversificado, professores universitários, pessoas da comunidade, estudantes e praticantes da religião.
A música ambiente característica do restaurante proporciona conforto espiritual para quem freqüenta o local quase que diariamente. O estudante de filosofia Mateus Barros, 21, aderiu a alimentação vegetariana, após refletir sobre o mal que iria causar a natureza. “O bem que traz pra saúde é conseqüência, já priorizo a questão ética, política e ambiental. É um abuso da raça humana, pois considero o animal um ser de Deus”. O futuro filósofo se define como um “vegetariano radical”, mas não membro da comunidade krishna. O estudante ainda falou que a nova alimentação saiu até mais barata do que uma dieta carnívora. “Você encontra facilmente em feiras perto de casa e lojas de alimentos vegetarianos”.
Pensando nesse segmento, Flávio dos Santos decidiu abrir recentemente uma loja de produtos naturais. Segundo ele, o mercado está em ascensão, já que o número de vegetarianos cresce gradativamente. “O produto mais vendido tem sido a carne de soja, que é três vezes mais protéica do que a carne vermelha”. Os hábitos alimentares de Santos também mudaram ao abrir o negócio há três meses. “Resolvi aderir a dieta vegetariana por acreditar no contexto do ambientalismo, que tem sido pouco difundido. As pessoas deveriam pensar mais no próximo, mesmo que esse seja uma vaca ou um boi”, brinca.
Prazeres da carne
“Só abro mão de comer carne vermelha se estiver com alguma doença”, afirmou o eletricista Narcélio Ribeiro, 42, que não tem problemas para revelar o peso, (120 kg). Ele afirma comer carne diariamente. “Adoro carne de porco, é a mais suculenta”. Ao ser questionado sobre a relação da carne com o peso o eletricista relatou que mesmo por achar que está com seu uns “quilinhos a mais”, não trocaria um prato com arroz, feijão e carne, por salada.
A nutricionista Paola Chayb lembrou dos nutrientes que só a carne vermelha oferece. “Por mais que a alimentação vegetariana seja saudável, a carne vermelha possui taxas de ferro e cálcio que não se encontram na soja”. Paola apontou ainda a dieta de vegetais como eliminadora das gorduras saturadas do corpo, evitando as doenças cardiovasculares.
De acordo com a especialista, tanto o consumo de carne vermelha como a dieta vegetariana tem que ser acompanhadas por um profissional para evitar malefícios à saúde. A nutricionista lembrou ainda de casos de pacientes que iniciaram a dieta vegetariana sem acompanhamento e ficaram fracos por não ter quantidade de cálcio e ferro no organismo. “Deve haver essa preocupação. Respeito a cultura das pessoas que aderem o vegetarianismo por religião, mas não se deve colocar a saúde em risco”, concluiu.








